Sunday, April 30, 2017

Guardiões da galáxia vol. 2

O faz-tudo James Gunn é o nome por trás do sucesso até certo ponto inesperadamente estrondoso da agora franquia Guardiões da galáxia. O que era para ser um mais um filmeco de super-heróis acabou se tornando instantaneamente uma franquia com fãs ávidos e fanáticos, e a maior parte deles nunca pegou nas mãos um gibi dos personagens.


Isso é até certo ponto compreensível. Afinal, vivemos num mundo confuso em que é fashion ser geek, em que é geek ser fashion.


Nos cérebros deste mundo, o humor no-limite-do-sutil-com-o-escracho de James Gunn parece ter encontrado um solo fértil onde crescer e florescer. As pessoas se divertiram no primeiro Guardiões da galáxia e agora lotam os cinemas para se divertir ainda mais com o Vol. 2.

Piadas explícitas, piadas implícitas, piadas feministas, piadas non-sense, piadas inocentes, piadas picantes, piadas de amor platônico, piadas politicamente incorretas, piadas, piadas e mais piadas. James Gunn, diretor e roteirista, é o tipo do cara que perde o amigo, mas não perde a piada.


Entre uma piada e outra, Gunn (o roteirista de Madrugada dos mortos e diretor de Super, divertida paródia sobre os filmes de super-heróis) tenta seguir duas linhas narrativas: a história de Ego (Kurt Russell), que à primeira vista aparenta ser um cara charmoso e carismático, e a história de Yondu (Michael Rooker), o ladrão de pele azul que criou Peter Quill. Enquanto desenvolve aspectos sobre esses personagens, o diretor/roteirista, na verdade, está familiarizando a plateia com o background do protagonista, o Senhor das Estrelas (Chris Pratt). Não vou entrar em detalhes spoilerísticos, apenas comentar que, no frigir dos ovos, as duas linhas convergem e tudo passa a fazer sentido, em prol de uma "mensagem".

O mais incrível é que Gunn tem bala na agulha. Não perde de vista o seu objetivo. É uma espécie de Howard Hawks da atualidade: acredita que cinema é entretenimento, e acrescenta música (Mr. Blue Sky, da Electric Light Orchestra, abre os trabalhos), e acrescenta ação, e acrescenta todos os elementos necessários para manter a atenção de pessoas de todas as idades. Sei de um menino de 5 anos que assistiu ao filme inteiro, fazendo comentários, como "Corre, Groot!". E de um adulto calejado que sorriu ao ver o videoclipe mais insano para uma canção de sua banda preferida.

Sim, Gunn tem a mira certeira: tem como alvos o público geek e o público família. Famílias em peso na fila, tirando fotos, empolgadas, afinal, ir ao cinema para ver Guardiões da galáxia vol. 2 é um programa emocionante, que vale a pena ser registrado na retina e nas redes sociais. Primos, noras, irmãs, pais, mães, vovós, pombinhos apaixonados, genros, filhos, irmãos, primas, filhas. Pequenos e marmanjos, jovens e barbados, tatuados e calvos, todos se divertem igualmente. O filme termina e a maioria não arreda pé. Espera até o fim. Não quer perder nenhuma das cenas durante os créditos. Novamente, Gunn acertou na mosca.



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