Monday, June 26, 2017

Os reis do iê-iê-iê (A Hard Day's Night)

O filme estava quase pronto e continuava sem título. Uma frase usada por Ringo Starr caiu nos ouvidos do produtor, que a considerou excelente. Restava, ainda, uma canção com o mesmo nome. Feita a encomenda, um dia depois Lennon e McCartney mostraram a canção-título quase pronta. A ideia de começar com um acorde foi de George Martin. Esses detalhes dos bastidores de A Hard Day's Night são contados nos documentários contidos nos extras desta edição especial de Os reis do iê-iê-iê.


Qualquer pessoa com o mínimo interesse em música pop tirará proveito dos documentários, em especial as entrevistas com o diretor Richard Lester e o roteirista Alun Owen (que recebeu inclusive uma indicação ao Oscar pelo trabalho), além, é claro, de um depoimento de George Martin que, com seu rigor infalível, avalia uma a uma as canções do filme e aproveita para pedir desculpas a George Harrison, por não tê-lo incentivado a desenvolver mais precocemente o seu talento de compositor.

E sobre o filme em si? Sob vários prismas, A Hard Day's Night é considerado uma excelente realização cinematográfica, não apenas um inócuo veículo para alavancar a carreira da maior banda de pop rock de todos os tempos.


O fator principal para o sucesso artístico do filme é o surpreendente roteiro do dramaturgo liverpooliano Alun Owen, cujas falas pareciam escolhidas a dedo e se encaixar perfeitamente no sotaque arrastado dos Fab Four. Atuações espontâneas, diálogos e situações nonsense permeadas com algumas canções compostas especialmente para a trilha fizeram de Os reis do iê-iê-iê um filme memorável, que pode ser visto e revisto com prazer até hoje, por diferentes faixas etárias.

São várias cenas irreverentes, como aquela em que os quatro interagem na cabine do trem com um senhor que desliga o rádio de Ringo.

Outra sequência inesquecível é aquela em que os Beatles participam de um coquetel junto com repórteres sedentos por fazer as perguntas mais estúpidas, como "Como se chama este corte de cabelo?". A resposta de George Harrison é de cair na gargalhada.


As peripécias do personagem "avô de Paul" (Wilfrid Brambell) ajudam a criar uma linha narrativa e uma percepção sobre cada um dos Beatles.

Um dos momentos mais legais é quando o avô de Paul incentiva Ringo a largar um livro para aproveitar cada instante da vida. O baterista sai a perambular nas ruas pouco antes do ensaio geral para o show, colocando os outros integrantes da banda em polvorosa.

Num ano em que Paul McCartney volta a tocar em terras brasileiras, nada mais didático do que esquentar as turbinas revendo o primeiro e clássico filme dos Beatles.



Sunday, June 18, 2017

Alien: Covenant ou Todos os androides de Alien


Covenant, o nome da nave de 15 tripulantes com a missão de transportar colonos terráqueos a um planeta de um longínquo sistema estelar, significa algo como "Pacto", "Contrato", "Acordo"; ou, como verbo, "Comprometer-se".

Paradoxalmente, o diretor Ridley Scott, prestes a completar 80 anos, demonstra não querer se comprometer com nada, afora seu inabalável ímpeto para realizar filmes. Não quer fazer pacto algum com ninguém, muito menos, com os considerados "fãs da franquia".

Ao espectador, cabe pegar ou largar.
O comprador do ingresso assinou uma declaração tácita:
vou me esquecer obedientemente dos outros filmes, prometo não fazer comparações, vou assistir a este filme e pronto.
Se quiser comparar, compare por sua conta e risco.
Ridley Scott não se compromete.

Quem assistir a Alien: Covenant (continuação de Prometheus, portanto, mais um "prequel" do primeiríssimo Alien, também dirigido por Scott, em 1979, e transformado em livro por Alan Dean Foster, recentemente editado pela Aleph, com tradução minha) nesse espírito de desprendimento vai desfrutar mais da experiência do que aquele espectador/crítico miudeiro, ansioso para captar lapsos, furos, exageros e anacronismos.

E eis que eu comprei o meu ingresso. Assinei a declaração.

Mas o cliente tem sempre a razão. Como pagante, posso cair na tentação de fazer uma comparação ou outra.

Por isso, enquanto assistia a Alien: Covenant (surpreendentemente, quatro estrelas em quatro no site do Roger Ebert), veio-me a irresistível vontade de fazer um teste-retrospectiva, comparando nomes, características, intérpretes e fotos de todos os androides da franquia.

Afinal de contas, a relação entre os sintéticos Walter e David é o que sustenta Alien: Covenant, suscitando discussões filosóficas sobre os rumos da inteligência artificial. Walter, o modelo mais novo, teve sua capacidade criativa diminuída e sua lealdade aumentada, visto que o modelo anterior, David, era muito semelhante aos humanos em sensações e havia causado alguns problemas inesperados.

Em Alien: Covenant, Fassbender tentou se superar contracenando consigo mesmo, interpretando dois androides bem diferentes. O ator, em artigo do Cinema Blend, explica como procurou interpretar cada um dos modelos de androides: "Eu queria que Walter tivesse um quê de Spock (sem características humanas ou estofo emocional que entram na programação de David). Eu queria que ele fosse uma espécie de tela em branco, na qual cada um pudesse projetar coisas."

Sequências como a que David ensina Walter a tocar flauta alçam Alien: Covenant a um patamar mais alto do que apenas um novo e até certo ponto previsível terror espacial.


Abaixo, um teste com todos os androides (ou para ser moderninho, os "sintéticos") de Alien.


Alerta máximo: de agora em diante, algumas informações podem ser consideradas "spoilers".

Alguns deles foram heróis, outros vilões.


A história de cada um ajuda a contar a saga da franquia Alien.

Portanto, atenção: o teste é só para iniciados que já tenham assistido a todos os filmes da série.

Se você deseja testar o seu conhecimento sobre os androides da saga Alien, clique em "Read more".


Thursday, June 15, 2017

Lucy

Luc Besson é um cineasta na verdadeira acepção da palavra. Ou seja, dirige filmes concebidos por ele, brotados de sua sensibilidade, de  sua "alma", de seu intelecto. Estuda o assunto e escreve o roteiro. De quebra, opera a câmera em todos os seus filmes. Em 1983, aos 24 anos, foi premiado como Melhor Diretor e Melhor Filme no Fantasporto, com a ficção científica O último combate. Foi o empurrãozinho que o menino-prodígio precisava para continuar a produzir seus filmes particulares e pessoalíssimos.
Após Subway (1985), realizou os dois filmes que o tornaram conhecido do "grande público": Imensidão azul (1988) e O profissional (1994, estreia de Natalie Portman). Sua filmografia tem outros destaques, como Nikita (1990), O quinto elemento (1997) e Joana d'Arc (1997). Entra o século XXI e Besson, que compara o ofício do cineasta a uma espécie de decatlo artístico, passou a se dedicar mais à produção, fazendo uma espécie de sabático na direção. Em uma década, só assinou dois filmes de animação, por sinal, espinafrados pelo site Rotten Tomatoes: Arthur e os minimeus (2006) e Arthur e a vingança de Maltazard (2009).
Assim, num passe de mágica, o diretor talentoso com currículo sólido passa a ser visto com outros olhos, o cara excêntrico que faz o que dá na telha e se dá ao luxo de ignorar as críticas. 



Nesse breve apanhado da carreira de Besson, Lucy (2014) é uma espécie de "volta por cima", ou à boa forma, digamos assim.

Nos extras, o parisiense criado na Grécia explica a gênese do roteiro. Envolveu anos de pesquisas e conversas com cientistas sobre o tema palpitante que é a capacidade cerebral humana. Uma pitada de ficção ousada, uma protagonista escolhida a dedo e uma história repleta de ação e reviravoltas nos faz exclamar: puxa vida, por onde andava Luc Besson

Voltou com tudo. Lucy é um baita filme em todos os sentidos. Ao mesmo tempo em que é frenético, também emociona e faz pensar. Até onde pode chegar a capacidade de nossos cérebros, se utilizamos apenas 10% das conexões possíveis?

Para treinar, eis que vou fazer uma sinopse muito sucinta do argumento. Uma sinopse técnica não deve contar mais do que o mínimo necessário. Nos dias de hoje, uma sinopse deve ser ainda mais cuidadosa, para não revelar os tão famigerados "spoilers". (Embora esteja em voga a criação de trailers que em dois minutos contam o filme inteiro.)
Por isso a minha sinopse de Lucy terá apenas uma frase e vai procurar não revelar quaisquer detalhes que possam ser considerados spoilers. Mas faço a ressalva: sinopses que não revelam quaisquer detalhes podem parecer muito genéricas.



SINOPSE DE LUCY SEM SPOILERS
Jang (Choi Min-sik) chefia uma sinistra rede de tráfico, enquanto o professor Samuel Norman (Morgan Freeman) dá palestras sobre a capacidade ilimitada de nossos cérebros; o destino dos dois vai mudar radicalmente ao conhecerem uma moça chamada Lucy (Scarlet Johansson). 

Pois é, esse foi o melhor que consegui fazer. Qualquer outra frase incluiria um spoiler, já que desde o comecinho do filme é uma surpresa após a outra e o ritmo é daqueles de "tirar o fôlego". Se a pessoa conta a cena inicial, já está contando um spoiler. Tal é o dilema de um resenhista.

Ficamos assim, sem uma sinopse mesmo. A função da resenha, afinal, é atiçar a curiosidade do leitor para ver o filme. Espero ter alcançado esse desiderato.



Monday, June 12, 2017

O dia em que a Terra parou

Um dos diretores mais promissores da nova geração, Scott Derrickson realizou em 2008 este digno remake do clássico O dia em que Terra parou (1951), de Robert Wise. Os roteiros dos dois filmes têm semelhanças e diferenças, mas os dois alegadamente inspiram-se no conto Farewell to the Master, de Harry Bates. 
A propósito, o roteiro do badalado A chegada, de Denis Villeneuve, traz algumas inevitáveis similitudes (ou será que deveríamos dizer clichês ou lugares-comuns?), como a chegada das “naves” (esferas no filme de Scott, conchas no filme de Denis) em vários pontos do planeta; a perplexidade com que são recebidas; a histeria meio que desenfreada que a presença alienígena provoca nos seres humanos, etc.


Sobre o filme de Robert Wise, realizado em preto e branco, eu tive o prazer de assisti-lo, sem legendas, no auditório do ICBNA de Porto Alegre, na Rua Riachuelo. Mas calma, não vou cair na tentação de comparar os dois filmes, mesmo porque muita gente já se deu ao trabalho de fazer isso.

Afora a direção inspirada de Derrickson e o roteiro bem trabalhado de David Scarpa, O dia em que a Terra parou (2008) tem um talentoso elenco trio de protagonistas: Jennifer Connelly (que interpreta a cientista Helen Benson), Jaden Smith (Jacob Benson, enteado de Helen) e Keanu Reeves como o invasor Klaatu. E dois coadjuvantes de luxo: Kathy Bates (Regina Jackson, ministra da Defesa) e John Cleese (professor Karl). No frigir das esferas, O dia em que a Terra parou é um bom filme para os apreciadores de ficção científica, embora o saudoso crítico Roger Ebert tenha lhe conferido apenas 2 estrelinhas em 4.


Thursday, June 08, 2017

Núpcias de escândalo

Assistir a este filme é voltar alguns anos no tempo. Evidente, é voltar ao glamour hollywodiano de 1940, na transição do cinema preto e branco com o cinema colorido. Outro filme realizado em P&B acabaria levando a estatueta de Melhor Filme na cerimônia do Oscar realizada no começo de 1941, premiando os filmes lançados no ano anterior. Trata-se de Rebecca de Alfred Hitchcock.

A Núpcias de escândalo (The Philadelphia Story) caberia abiscoitar naquela mesma cerimônia os Oscars de Melhor Ator (James Stewart) e de Melhor Roteiro Adaptado. O fabuloso elenco conta ainda com Katharine Hepburn e Cary Grant.


A personagem de Katharine, Tracy Lord, divorcia-se de C. K. Dexter Haven (Cary Grant). Dois anos depois, está de casamento marcado com uma pessoa de perfil completamente diferente daquele do primeiro marido. É George Kittredge (John Lord), o adequado e esforçado funcionário das empresas de Seth Lord (John Halliday), o pai de Tracy, que, por sinal, está colocando o casamento em risco ao se aventurar com uma mulher bem mais nova, para a tristeza de sua esposa Margareth Lord (Mary Nash). Um inescrupuloso editor de revistas usa um estratagema para infiltrar dois repórteres, Mike Connor (James Stewart) e Elizabeth Imbrie (Ruth Hussey), na seletíssima festa do matrimônio.

Assistir a este filme é voltar alguns anos no tempo, quando eu podia assistir a filmes em companhia de minha querida mãe, a D. Nidia, colecionadora de Cinemin e de filmes escolhidos de acordo com o ator ou a atriz protagonista. Hepburn está entre as atrizes preferidas dela, e Cary Grant entre os atores prediletos. Então, para ela, assistir a Núpcias de escândalo deve ter sido um deleite. Como para todo e qualquer cinéfilo, diga-se de passagem. E para mim, assistir a qualquer filme do acervo de D. Nidia é um momento especial.


À parte esse lado sentimental/familiar, o filme de George Cukor nos remete a um saudoso tempo em que os roteiros premiados com Oscar realmente mereciam o prêmio. E os atores também. A envolvente (e fumegante, pois ele fuma um cigarro após o outro ao longo da película) atuação de James Stewart contribui para o suspense em torno da imprevisível e complexa personalidade de Tracy.

Na verdade, o filme poderia chamar-se "Quem vai ficar com Tracy?".

Curta este clássico inesquecível e faça as suas apostas.

Tuesday, June 06, 2017

Comeback

O Brasil também tem seu sicário (matador de aluguel): Amador, o último personagem interpretado por Nelson Xavier. A trilha sonora nos remete às ruas cinzentas do subúrbio de Goiânia, o cenário onde o pistoleiro aposentado passa os dias frequentando bares e dialogando. Sim, o roteiro baseia-se em diálogos de Amador com várias pessoas e objetos. O neto do ex-comparsa. O ex-comparsa, fumante inveterado, internado com a perna inchada numa instituição. O poderoso chefão do bairro, que coopta Amador para agenciar a distribuição de "maquininhas" de jogo de azar pelos botecos da região. O teimoso dono de um desses botecos. Dois cineastas meio patetas em busca de histórias e duas metralhadoras. O armeiro que lhe devolve a sua "mausinha", como Amador chama carinhosamente a Mauser modelo antigo, sua pistola de estimação, com a explicação de que ela não tem conserto. Se falhar, só tem que dar uma batidinha na parte de baixo do pente. O álbum em que coleciona recortes de jornal com supostos trabalhos de outrora. Entre uma interação e outra, Amador percorre as ruas com sua enferrujada Parati prateada, com água no farol, levando as maquininhas para lá e para cá, fervilhando no peito o rancor do abandono e da falta de reconhecimento, até esses sentimentos ruins transbordarem numa aparentemente pouco justificável onda de violência. Comparando o filme de Érico Rassi com o de Denis Villeneuve, temos dois atores de classe (Xavier e Del Toro), dois filmes que mostram uma realidade triste e dois diretores aficionados pela tensão vagarosa e densa.


Saturday, May 27, 2017

Sicário: terra de ninguém

A rose is a rose is a rose, e um filme de Denis Villeneuve é um filme de Denis Villeneuve é um filme de Denis Villeneuve. Ou seja, não vá querer uma ação alucinante porque não vai encontrar nunca. É um diretor calminho, que testa um pouco a paciência do espectador, como se quisesse ver se ele merece chegar à "parte boa" do filme. Quem perseverar em Sicário: terra de ninguém terá a oportunidade de ver Benicio Del Toro como há tempos não víamos. Um dos leitmotivs do filme é a tensão existente entre o enigmático personagem dele e o de Emily Blunt, uma policial convidada a participar de uma operação antitráfico de entorpecentes. O filme traz uma velada crítica aos métodos policiais e dá uma amostra da assustadora realidade de alguns enclaves do tráfico.




Os maiores mistérios de Scooby Doo

Os fãs da série votaram para escolher os 4 episódios mais divertidos e significativos.


Esta seleção é o resultado da votação feita pelos fãs.

Uma das possibilidades do dvd é brincar com os áudios disponíveis em francês, espanhol e português, além do original.

Por exemplo, no episódio Jeepers, it's the Creeper!, existe uma entidade misteriosa que é chamada de "Creeper" no original. Em português, ficou "Monstro". Fomos conferir em espanhol como ficou: "El Rastreador"!



Título original                   Título brasileiro            Episódio Nº       Passou a 1ª vez

A clue for Scooby Doo       Uma pista para Scooby-Doo           2                    20/9/1969

Hassle in the Castle           De sururu no castelo                     3                    27/9/1969

Jeepers, it's the Creeper!    De arrepiar os cabelos                21                    03/10/1970

Backstage Rage                  Nos bastidores                             9                    28/11/1969






Tuesday, May 23, 2017

Minha mãe é uma peça 2

Maior bilheteria do cinema brasileiro (118 milhões de reais, com um orçamento de 8 milhões, sendo também provavelmente o mais lucrativo filme nacional da história) e quarto maior público da história do cinema brasileiro, Minha mãe é uma peça 2 reúne uma série de esquetes cuja protagonista é a já celebérrima Dona Hermínia, criação do ator e roteirista Paulo Gustavo.
A personagem, inspirada na mãe do ator e por ele interpretada, é desbocada e irreverente, mas tem uma ternura que conquista especialmente as mães, que se identificam com suas aventuras e desventuras.



Um detalhe geográfico contribui para o sucesso da personagem: o ponto de vista é de quem mora em Niterói, com cenas filmadas em locais bonitos, mas pouco conhecidos do público geral. Isso transmite autenticidade e veracidade a esta comédia de costumes, que, em última análise, não tem uma história.  
O que chama atenção é o fato de o filme não ter absolutamente uma linha narrativa. Existe uma mescla de temas, como a presença de D. Hermínia à frente de seu programa de tevê, o destino nem sempre ideal dos filhos, a relação com as irmãs e com a tia, a cantada do ex-marido, a visita do neto sapeca, os problemas com o síndico, etc.
Sob esse prisma, contribui para o sucesso artístico do filme a montagem ágil, que faz o filme andar, mesmo sem ter um grande fio condutor.


Haverá um terceiro filme da franquia?
Enquanto comemoram o merecido sucesso do filme, essa pergunta bem poderia gerar uma autocrítica construtiva aos roteiristas Fil Braz e Paulo Gustavo. É evidente que a personagem tem fôlego para prosseguir, mas seria interessante vê-la em situações que outros personagens e atores possam brilhar, numa história que tenha começo, meio e fim.


Sunday, May 21, 2017

TOP TEN LIVING DIRECTORS

Conforme prometido no post sobre os TOP TEN DIRETORES FALECIDOS, hoje vou publicar a lista dos TOP TEN DIRETORES VIVOS. Também foi uma tarefa espinhosa reduzir a lista a apenas dez. Para vocês terem uma ideia, alguns de meus preferidos que ficaram de fora: Danny Boyle, Emir Kusturica, Jean-Pierre Jeunet, Kathryn Bigelow, Patrice Leconte, Quentin Tarantino, Sam Raimi, Zack Snyder, Alejandro Amenábar, Paul Thomas Anderson e Nuri Bilge Ceylan.


Seguem alguns pôsteres da filmografia eclética dos 10 que entraram na lista.

Em ordem alfabética:


Darren Aronofsky



David Lynch





James Cameron





Lasse Hallström


Pedro Almodóvar


Peter Jackson


Peter Weir


Ridley Scott




Steven Spielberg



Zhang Yimou






Saturday, May 13, 2017

PRIMEIRO CD DA OSINCA


O primeiro CD da OSINCA é um belo cartão de visitas de quem logo diz a que veio. Da seleção à execução, dos arranjos aos vocais, as dez faixas do discretamente denominado “Nº 1” popularizam o clássico e elevam o pop a patamares etéreos.

Gravado com esmero na acústica perfeita da nave da Igreja Nosso Senhor Bom Jesus, em Carazinho, o CD traz em cada celestial acorde as marcas da gênese da OSINCA: acreditar, perseverar, realizar, transformar sonhos em realidade.

Coloque o fone de ouvidos, feche os olhos.

Impossível não se arrepiar ao ouvir este CD.

A técnica refinada dos músicos é percebida, mas também sua paixão.

O mais lindo de uma orquestra, afinal de contas, não é a individualidade que aflora, mas a harmonia do conjunto, e a OSINCA nesse quesito é imbatível. Os componentes se conhecem muito, ensaiam à exaustão, e isso transparece no resultado.
Nada melhor que a força de um allegro de Mozart para abrir um CD cuja principal característica é a energia, a mescla de ternura e ritmo, alegria e introspecção.

Eine Kleine Nachtmusik de Mozart condensa tudo isso e abre os trabalhos de modo impactante.

O contraste é estabelecido com a melodia calma e as palavras sentidas de Lascia ch’io pianga, da ópera Rinaldo de Händel, na voz da soprano Cintia de los Santos. Como disse Edgar Allan Poe em seu ensaio O princípio poético:  “Certa tonalidade de tristeza liga-se inseparavelmente a todas as mais elevadas manifestações da verdadeira Beleza”.

Lascia ch'io pianga mia cruda sorte, e che sospiri la libertà. Il duolo infranga queste ritorte de' miei martiri sol per pietà. Ou em tradução livre de quem pouco entende italiano: Deixe que eu chore/Minha má sorte/E que eu suspire/Por liberdade!/Que a dor estoure/Grilhões e corte/O meu martírio.../Por piedade! Aqui, a orquestra humildemente se põe a serviço das sublimes cordas vocais da soprano, num dos pontos altos do CD.

A terceira faixa é uma curiosidade, mas também uma afirmação: somos de Carazinho, somos brasileiros. Mas temos sotaque! Somos também gaúchos, da ponta mais austral desta república, falamos “tchê!” e ouvimos música nativista, como este tradicional chamamé argentino. Não só ouvimos, como adaptamos para um arranjo clássico. Sob esse prisma, a adaptação de Km 11, por mais rápida e despretensiosa que seja, é também uma das mais significativas do CD.


Quem brilha na faixa 4, Con te Partiró, de Francesco Sartori, é outra voz, a do tenor Luiz Wiedthauper, na canção gravada por Andrea Boccelli em 1995. Num crescendo, a música de Sartori prepara os ouvidos para Nella Fantasia, ápice orquestral de Ennio Morricone, da trilha sonora do filme A missão. A percussão dá um tom de suspense à peça dominada pela harmonia dos vocais com os múltiplos instrumentos da OSINCA.

Completa a homenagem ao cinema a faixa 6, o solo de violino de A lista de Schindler, do compositor contemporâneo John Williams, num momento de melancolia que serve de interlúdio para o retorno às árias. A faixa 7, Ombra mai fu, da ópera Xerxes, de Händel, enaltece a incomparável sombra de um plátano. Um tema prosaico é o mote para esta que se tornou uma das mais famosas árias händelianas.

A mistura de pop com clássico da OSINCA chega ao auge na faixa 8, talvez a mais emblemática do CD. O maestro Fernando Cordella compôs o arranjo para o sucesso do Alphaville, Forever Young, para sua bem afinada orquestra acompanhar o inspirado dueto de soprano e tenor.

O CD está chegando ao fim. É hora de um allegretto de Beethoven para educar os ouvidos e preparar o grand finale da faixa 10: Aleluia de Händel.

Por sinal, não é à toa que o compositor barroco, com 3 peças, constrói a “coluna vertebral” do CD: a música de Händel, embora ligada a um “movimento”, é cosmopolita e popular, até mesmo pela trajetória do compositor alemão, naturalizado britânico.

Tanto melhor: são nessas faixas barrocas que o ouvinte tem a oportunidade de captar todas as sutis e delicadas sonoridades do cravo, instrumento em que Fernando Cordella é especialista.

Os 44 minutos do No. 1 passam voando e são uma excelente pedida para relaxar numa chuvosa tarde de sábado ou como trilha sonora de um glorioso amanhecer na rodovia.