Saturday, August 10, 2013

Todo mundo quase morto



 Todo mundo quase morto é uma divertidíssima "comédia romântica" que conta a saga de Shaun, jovem cujo relacionamento com Liz está a perigo por um singelo motivo: o pub Winchester. Explico. O mancebo só leva a garota sempre ao mesmo lugar na noite londrina, na companhia do amigo loser, que mais parece um morto-vivo. Ela sente falta de jantar fora. Ele promete mudar. Essa história é contada até os trinta minutos, enquanto no background coisas bizarras acontecem na capital inglesa. O espectador percebe que algo muito, muito estranho se desenrola, embora, aparentemente, Shaun e seu amigo não percebam. O único líquido vermelho que surge nessa espirituosa fase introdutória é a tinta que vaza no bolso de Shaun, que trabalha como vendedor em uma loja, ocasião em que recebe a visita do padrasto, cobrando de Shaun uma visita à mãe no aniversário dela. A partir dos 30 minutos, porém, o inicial déficit sanguinolento será sobejamente compensado, afinal de contas, essa comédia romântica tem como cenário uma Londres não apenas metaforicamente dominada por humanos vazios e catatônicos - e sedentos de sangue. Tanto que o recorrente bordão “You’ve got red on you” acaba se tornando uma piada interna - e uma das frases cultuadas do filme de Edgar Wright. Britanicamente a dupla de amigos combate os retornados sem armas de fogo: Shaun usa um taco de críquete para abater os cambaleantes mortos-vivos. O poder de fogo só aumenta na sequência final (quando ironicamente um grupo de humanos não infectados se refugia justamente no pub Winchester) e justamente uma winchester é utilizada contra os zumbis. Tem muita coisa nesse filme a ser debatida num pub entre pessoas que curtem gore e cultuam os filmes de George Romero e quejandos. Uma delas é o constante encontro de Shaun com Yvonne, moça que o espectador supõe ter uma queda por ele, e que serviria como “prêmio de consolação”, caso Liz realmente der o fora nele. Quem vai ficar com Shaun? Descubra você mesmo.

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